O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), contrariou o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao defender a segurança das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (20), durante uma sabatina promovida pela rádio CBN em parceria com os jornais O Globo e Valor Econômico.
Tarcísio afirmou confiar no sistema eletrônico de votação e disse que o tema não deveria mais fazer parte do debate político. “Eu confio absolutamente na segurança das urnas. Isso não é mais pauta, não deve ser”, declarou.
A manifestação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro questionar o sistema eleitoral e fazer afirmações sobre a empresa Smartmatic. Segundo a Revista Fórum, a alegação do senador não possui sustentação factual. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu a existência de uma relação entre a empresa e as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.
Ao defender os equipamentos, Tarcísio também lembrou que foi eleito governador de São Paulo em 2022 por meio das urnas eletrônicas. Em outra declaração, resumiu sua posição: “Foram elas que me elegeram”.
A divergência ocorre em meio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e à tentativa de reorganização da direita para as eleições de 2026. Tarcísio declarou apoio à candidatura de Flávio à Presidência, mas disputa a reeleição ao governo paulista e tem mantido uma atuação própria no cenário político estadual.
A posição adotada pelo governador também o distancia de setores do bolsonarismo que historicamente levantaram questionamentos sobre a votação eletrônica. Flávio, por sua vez, tem incorporado críticas ao sistema eleitoral ao discurso de sua campanha.
O TSE tem reforçado, neste ano eleitoral, medidas de transparência e fiscalização das urnas. Entre as iniciativas estão testes públicos de segurança e mecanismos de auditoria do processo de votação. A Justiça Eleitoral também promoveu mudanças na interface das urnas para as eleições de 2026.
A divergência entre Flávio e Tarcísio expõe uma diferença de estratégia dentro do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto o candidato do PL mantém críticas ao sistema eleitoral, o governador paulista passou a defender publicamente a confiabilidade das urnas e a retirada do tema da disputa política.
Com informações da Revista Fórum