
Enquanto servidores públicos de diversos municípios da região encerraram o ano com os salários de dezembro e o décimo terceiro pagos, em Antônio Gonçalves a realidade foi bem diferente. Os servidores municipais iniciaram o novo ano sem receber o salário de dezembro, o que gerou revolta, indignação e sensação de abandono.
De acordo com informações apuradas, o prefeito Dudu efetuou apenas o pagamento do décimo terceiro salário dos servidores efetivos, deixando de fora o salário mensal. Entre os contratados, apenas alguns receberam, sem qualquer critério ou justificativa oficial, o que aumentou ainda mais o clima de insatisfação dentro da administração pública.
Nem mesmo os secretários municipais escaparam da situação: eles também ficaram sem receber os salários referentes ao mês de dezembro.
O impacto da decisão do gestor não atingiu apenas os servidores. O comércio local, que já enfrenta dificuldades, também foi prejudicado. Com o pagamento restrito apenas ao décimo terceiro, menos dinheiro circulou na cidade durante o período de fim de ano. Caso a Prefeitura tivesse quitado também os salários dos efetivos, haveria maior movimentação no comércio, fortalecendo as vendas e ajudando pequenos comerciantes em um dos períodos mais importantes do ano.
O cenário se torna ainda mais crítico diante do fato de que, mesmo sem pagar os salários de dezembro, a Prefeitura realizou a festa da virada, com a contratação de três atrações musicais, o que levantou questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal no uso dos recursos públicos.
No sábado (03), em meio à crise enfrentada por servidores e comerciantes, o prefeito publicou um vídeo em suas redes sociais dançando e afirmando estar em Morro de São Paulo, um dos principais destinos turísticos da Bahia, dançando ao som de um dos sucessos da Timbalada. A atitude foi duramente criticada pela população, que considerou a postura incompatível com a realidade vivida no município.
Outro ponto que chamou atenção foi a atuação do sindicato da categoria, que se limitou a lamentar o ocorrido, afirmando que esta foi a segunda vez que os servidores passam a virada de ano sem salário. O sindicato também divulgou valores de repasses que o município teria recebido, mas sem anunciar medidas mais firmes ou ações concretas de cobrança.
Enquanto isso, servidores efetivos passaram o ano novo sem dinheiro, enfrentando dificuldades para honrar compromissos básicos, em um episódio que reforça o sentimento de descaso, falta de planejamento e ausência de sensibilidade social por parte da atual gestão municipal.
Por Ivan Silva