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Pesquisa revela que 83,9 milhões de brasileiros estão com dívidas em atraso

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O número de brasileiros com dívidas em atraso atingiu um novo recorde em julho de 2026. Segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, 83,9 milhões de pessoas estavam inadimplentes no mês, crescimento de 0,23% em relação a junho e o maior nível já registrado pela série histórica do levantamento.

O cenário revela um contraste com alguns dos principais indicadores da economia brasileira. Enquanto o mercado de trabalho apresenta uma das menores taxas de desemprego já observadas e a renda média avançou, milhões de famílias continuam enfrentando dificuldades para manter as contas em dia. Entre os fatores que ajudam a explicar esse movimento estão o custo de vida elevado, os juros do crédito e a dependência de empréstimos e financiamentos para sustentar o consumo.

As instituições financeiras aparecem no centro do problema. De acordo com os dados da Serasa, bancos e cartões de crédito respondem por aproximadamente 26% das dívidas em atraso.

Ao todo, eram mais de 348,3 milhões de dívidas negativadas, que somavam aproximadamente R$ 586,4 bilhões. A dimensão dos números mostra que o problema não está restrito a uma parcela pequena da população, mas alcança uma quantidade expressiva de consumidores.

Outro levantamento reforça o tamanho do cenário. O Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil apontou 75,08 milhões de brasileiros inadimplentes em julho, equivalente a 44,75% da população adulta. Na comparação mensal, houve crescimento de 0,47% na quantidade de devedores.

As diferenças entre as metodologias explicam os números distintos apresentados pelas pesquisas, mas ambas apontam para a mesma direção: a inadimplência permanece em níveis elevados.

Famílias estão cada vez mais endividadas
Antes mesmo de considerar apenas as contas vencidas, o endividamento das famílias já apresentava trajetória de alta. Em abril, 80,9% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o maior percentual da série histórica da entidade.

Entram nessa categoria compromissos como financiamentos, empréstimos e compras realizadas no cartão de crédito. Ter uma dívida, por si só, não significa estar inadimplente. O problema surge quando a renda disponível deixa de ser suficiente para cumprir os pagamentos dentro do prazo.

E esse descompasso ocorre mesmo em um momento de melhora em alguns indicadores econômicos.

No trimestre encerrado em março, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, o menor nível para o período, enquanto o rendimento médio mensal ultrapassou R$ 3.722, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O crédito caro pesa no orçamento
Uma das explicações para o avanço das dívidas está no custo do crédito. A trajetória dos juros brasileiros nos últimos anos deixou uma herança importante para as famílias.

Durante a pandemia, o Banco Central reduziu a taxa Selic para estimular a atividade econômica. Em outubro de 2020, a taxa básica chegou a 2% ao ano, favorecendo o acesso ao crédito e ajudando a movimentar o consumo em meio à crise.

Com a retomada da economia e a aceleração da inflação entre 2021 e 2022, entretanto, o cenário mudou. O Banco Central iniciou um forte ciclo de aperto monetário para conter a alta dos preços, tornando empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito mais caros.

Em agosto de 2022, a Selic chegou a 13,75% ao ano. O aumento dos juros dificultou a reorganização financeira de famílias que haviam ampliado o consumo por meio do crédito durante o período anterior.

Mesmo depois do início da redução da taxa, o alívio foi gradual. A Selic chegou a aproximadamente 10,50% ao ano em meados de 2024, mas o custo elevado de diversas modalidades de crédito continuou pressionando os consumidores.

Primeiro Desenrola renegociou bilhões
Diante do aumento da inadimplência, o governo federal lançou, em 2023, o primeiro Desenrola Brasil, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas.

A iniciativa conseguiu renegociar cerca de R$ 53,2 bilhões em débitos de 15 milhões de brasileiros, contribuindo para uma redução temporária da inadimplência.

A expectativa era de que a combinação entre renegociação e queda dos juros permitisse às famílias recuperar gradualmente a capacidade de pagamento. O movimento, porém, não foi suficiente para impedir que o endividamento voltasse a avançar.

Novo programa tenta aliviar a pressão
Com o problema novamente em níveis elevados, o governo federal lançou neste ano uma nova edição do programa de renegociação. O chamado Novo Desenrola Brasil pretende alcançar até aproximadamente 20 milhões de pessoas e possibilitar a renegociação de até R$ 58 bilhões em dívidas, incluindo débitos antigos e novos.

A iniciativa busca reduzir o peso das contas atrasadas no orçamento e permitir que consumidores voltem a ter acesso ao crédito em condições mais favoráveis.

O tamanho do desafio, entretanto, mostra que a inadimplência não depende exclusivamente da existência de programas de renegociação. A combinação entre custo de vida elevado, crédito caro e uso frequente de financiamentos continua sendo um dos principais obstáculos para a recuperação financeira das famílias.

Com informações do MIX



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