O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi questionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre uma proposta que buscava retirar a identificação gravada em munições utilizadas pelas forças de segurança. Durante sabatina na TV Globo, realizada na sexta-feira (16), o parlamentar não apresentou uma explicação direta sobre como a medida contribuiria para o combate ao crime organizado.
Ao ser questionado, Flávio desviou do tema e passou a falar sobre fiscalização das fronteiras, endurecimento de penas e investimentos em tecnologia para a segurança pública. O senador também criticou o governo Lula e mencionou propostas relacionadas ao enfrentamento de facções criminosas.
Renata Lo Prete insistiu na pergunta e destacou que a identificação das munições pode ajudar as autoridades a rastrear sua origem e investigar possíveis desvios. Em resposta, Flávio classificou a marcação como um “detalhezinho” e voltou a apresentar suas propostas para a área de segurança, incluindo a promessa de adquirir mais de um milhão de câmeras com inteligência artificial.
Diante da falta de uma resposta específica, a jornalista afirmou: “Eu entendi que fiquei sem resposta”, encerrando o assunto e seguindo para outra pergunta.
Como a identificação das munições ajuda nas investigações?
A marcação presente nos cartuchos permite identificar o lote e consultar informações sobre a origem da munição. Esses dados podem ajudar a polícia a verificar se o material foi desviado de estoques oficiais e acabou nas mãos de organizações criminosas, incluindo traficantes e milicianos.
A retirada dessa identificação poderia dificultar o rastreamento da procedência das munições encontradas em cenas de crimes. O mecanismo não identifica automaticamente quem efetuou os disparos, mas fornece pistas importantes para o trabalho investigativo.
A discussão também remete a medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, pai do senador. Em 2020, o então presidente revogou portarias que reforçavam mecanismos de rastreabilidade de armas e munições, decisão que provocou críticas de órgãos ligados à investigação e ao controle desses materiais.
A reportagem do Diário do Centro do Mundo destacou o episódio como um momento em que Flávio Bolsonaro foi pressionado a explicar os efeitos de sua posição sobre o rastreamento de munições e o combate ao crime organizado.
Com informações do DCM