
“Não sou criminoso” e “não tenho nada a esconder”. Foi assim que o advogado João Munhoz Neto, de 34 anos, se defendeu ao falar pela primeira vez sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta em um condomínio de luxo em Fortaleza (CE).
Investigado por suspeita de ameaça, indução ou auxílio ao suicídio, o advogado negou ter ameaçado, coagido ou incentivado a namorada a tirar a própria vida em entrevista à Record TV.
Isabelle foi encontrada morta no condomínio de luxo onde morava com João, em Fortaleza (CE), após uma queda do 23º andar. A perícia aponta para uma “precipitação voluntária”, mas a investigação continua para esclarecer as circunstâncias da morte.
Durante a entrevista, João rejeitou os relatos de que mantinha um comportamento agressivo e controlador no relacionamento. “Eu sempre fui uma pessoa amorosa, que gostava de dar carinho e afeto”, afirmou. Segundo ele, Isabelle nunca teria reclamado de sua conduta. “Em nenhum momento, durante esses 35 dias em que nós estivemos juntos, ela se queixou de condutas minhas”, declarou.
O advogado também rebateu as acusações de que teria obrigado Isabelle a manter relações sexuais. “Eu nunca ameacei a Isabelle, nunca fui abusivo, nunca fui assim com ninguém. Eu discordo completamente dessa situação, porque quando ela não queria, eu a respeitava. Sempre quando ela dizia ‘não’ era não”, afirmou.
Cobrança de R$ 13,5 mil
Na entrevista, João também falou sobre a cobrança de R$ 13,5 mil feita a Isabelle na noite da morte. Segundo ele, o dinheiro pertencia à mãe dele e a cobrança não teve o objetivo de pressionar a jovem.
“Eu cobrei a Isabelle sem imputar culpa a ela. Eu pensava que ela só tinha R$ 2 mil da minha mãe, depois eu descobri que era aproximadamente perto de R$ 8 mil. Eu não a pressionei”, afirmou.
Segundo João, Isabelle dizia que aplicava dinheiro em investimentos e que conseguiria obter lucros. Ele afirmou ainda que, naquela noite, os dois estavam em um “beco sem saída”.
Por que não avisou a mãe de Isabelle
João também explicou por que não comunicou diretamente à mãe da jovem sobre a morte. Segundo ele, o impacto do ocorrido fez com que não tivesse condições de dar a notícia.
“Por favor, liga para a mãe dela, porque eu não consigo, não tenho forças, não tenho capacidade mental para falar com ela e dar essa notícia ruim”, relatou ter dito ao irmão.
O advogado afirmou ainda que não conseguiu reconhecer o corpo de Isabelle e que recebeu atendimento psicológico e psiquiátrico após a morte. Ele também explicou por que não compareceu ao velório.
“Não tenho nada a esconder”
Ao final da entrevista, João voltou a negar qualquer responsabilidade pela morte de Isabelle e disse se solidarizar com a família da jovem.
“Não tenho nada a esconder. Já estou sofrendo demais. Não é fácil. O que eu tenho a dizer para essa família é que eu me solidarizo”, afirmou.
“Não receio ser incriminado, porque não sou criminoso”, completou.
Investigação
Isabelle foi encontrada morta após cair do 23º andar do condomínio onde morava com João, em Fortaleza. O caso ganhou repercussão após manifestações da mãe da jovem e depois que o irmão afirmou que ela estaria grávida.
A investigação também analisa áudios e mensagens enviados por Isabelle antes da morte. Em uma das gravações, divulgada pela Record, a jovem pediu que familiares não acreditassem em João caso algo acontecesse com ela. O conteúdo está sendo analisado pela polícia.
João foi preso preventivamente em 22 de setembro sob suspeita de violência psicológica e indução ao suicídio. A prisão foi revogada pela Justiça do Ceará na última quinta-feira (1º), após manifestação favorável do Ministério Público. Ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar a comarca e o distanciamento da família da vítima.
A Polícia Civil do Ceará continua apurando o caso e analisa imagens de câmeras de segurança e arquivos extraídos de dispositivos eletrônicos para reconstruir a cronologia dos acontecimentos.
Com informações do Bnews