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PT aciona Dino por suspeita de interferência dos EUA a favor de Flávio Bolsonaro

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O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma investigação sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026 em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (23) pela equipe jurídica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A legenda solicita que a Polícia Federal apure a origem de eventuais recursos, serviços e ações digitais que possam ter favorecido a campanha de Flávio. O PT também pediu que os elementos levantados sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), para avaliação de possíveis medidas no âmbito do Ministério Público.

Um dos pontos citados na representação envolve a Rockbridge Network, organização política norte-americana associada a nomes do movimento conservador dos Estados Unidos. O partido quer esclarecer se houve contatos entre integrantes da organização, empresários brasileiros e a campanha de Flávio Bolsonaro, além de verificar se algum recurso ou serviço foi destinado à candidatura. Até o momento, não foi apresentada comprovação pública de repasse financeiro da Rockbridge para a campanha, e pessoas relacionadas ao grupo negam esse tipo de financiamento.

A representação também menciona publicações patrocinadas no X com conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro e referências ao desempenho do candidato na plataforma de apostas Polymarket. Os anúncios indicavam tratar-se de conteúdo pago, mas não identificavam publicamente quem havia financiado as publicações. A campanha de Flávio afirmou não ter conhecimento sobre os anúncios.

Outro ponto apresentado pelo PT envolve conteúdos produzidos pelo Brasil Paralelo e pelo Estúdio Quinto Elemento que teriam sido disponibilizados na chamada Academia da Direita, plataforma relacionada ao PL. A legenda pede que sejam analisados contratos, registros financeiros e eventuais prestações de contas para verificar se materiais ou serviços foram fornecidos gratuitamente e, nesse caso, se poderiam configurar doação de bens ou serviços de valor econômico.

O coordenador jurídico da campanha de Lula, Angelo Ferraro, afirmou que a representação não parte da premissa de que a interferência estrangeira já esteja comprovada. Segundo ele, o objetivo é identificar a origem dos recursos, eventuais agentes envolvidos e se houve benefício eleitoral para alguma candidatura.

No mesmo dia, a campanha de Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com questionamentos sobre possível interferência estrangeira e propaganda irregular relacionada a Flávio Bolsonaro. O caso deverá ser analisado pelas autoridades eleitorais e pelo STF a partir dos elementos apresentados nas representações.

Até o momento, as suspeitas apresentadas pelo PT permanecem como objeto de pedido de investigação. A existência de anúncios patrocinados ou de contatos entre pessoas e organizações estrangeiras, isoladamente, não comprova que recursos estrangeiros tenham sido destinados à campanha de Flávio Bolsonaro.

Com informações do DCM



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